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destaques

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Querida Galiza,
Carta branca a Ramiro Ledo

Nación, de Margarita Ledo (2020)

Uma honra ter o cinema galego em destaque na nossa programação. Hoje, mais do que nunca, podemos afirmar que o cinema da Galiza tem merecido todas as atenções, com uma forte carga onírica e fantástica que tem sido explorada por uma geração muito interessante de realizadores, como Lois Patiño, Eloy Enciso, Diana Toucedo ou Oliver Laxe. Agradecemos o apoio de Ramiro Ledo, sem o qual esta mostra de filmes não teria sido possível.

É verdade que o tiro de partida foi dado em 2020, com O Que Arde (Oliver Laxe, 2019), a fechar o último vistacurta. A produção do noroeste peninsular merece, agora, um olhar demorado e bem focado, com esta carta branca a Ramiro Ledo, programador e impulsionador de algumas salas independentes na Galiza. Com filmes como Nación, um documentário sobre as trabalhadoras que viram as suas vidas transformadas com a aurora e definhar da indústria cerâmica na Galiza (este filme seguramente que toca os nossos corações); Longa Noite, multi-premiado drama sobre a história recente de Espanha, nomeado pela academia de cinema do país vizinho como filme candidato aos óscares; ou dois filmes que exploram os contornos místicos e históricos da região norte-peninsular: Trinta Lumes e Costa da Morte.

A partir de Outubro, e por alguns meses, o cinema galego está em destaque na nossa programação. E a maioria dos filmes é inédita em Portugal. Bons filmes, e unha aperta.


QUI. 14.OUT / 17H30 / IPDJ

Costa da Morte
de Lois Patiño, 2013. 81'


Costa da Morte é uma área no noroeste da Galiza que ficou conhecida como sendo o “fim do mundo” no período romano. O epíteto dramático veio dos inúmeros naufrágios que ali aconteceram ao longo da história, graças às névoas, tempestades e rochas. A primeira longa-metragem de Patiño observa as pessoas que ali vivem, como pescadores e madeireiros, que mantêm ao mesmo tempo uma relação íntima e uma batalha antagónica com a vastidão do território.
A mais bela, íntima e imensa homenagem
feita à Galiza pelo cinema.

— Javier Tolentino, RNE

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SEX. 15.OUT / 21H30 / IPDJ

Longa Noite
de Eloy Enciso, 2019. 90'


SESSÃO COM A PRESENÇA DO REALIZADOR
Como diz Jean-Marie Straub, “fazer a revolução é trazer para o presente coisas velhas mas esquecidas.” Seguindo o princípio straubiano, Enciso fala do começo do longo período soturno, com mais de três décadas, sofrido sob didatura franquista. Com um texto composto a partir de documentos históricos, memórias e cartas do regime, o filme acompanha Anxo no regresso a terras galegas após o fim da Guerra Civil. O filme tenta de algum modo reconstruir a memória histórica colectiva do franquismo num "país mergulhado numa completa desmemória", como afirma o realizador.

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SÁB. 16.OUT / 21H30 / IPDJ

Trinta Lumes
de Diana Toucedo, 2018. 81'


Alba, de 12 anos, é atraída pelo lado misterioso, desconhecido e fascinante da morte. Ela e o seu melhor amigo, Samuel, entram em casas abandonadas, exploram cidades em ruínas e mergulham em florestas montanhosas que escondem mundos paralelos. Uma busca inocente pelos mistérios da luta entre a vida e a morte. Trinta Lumes entrelaça ficção, documentário e misticismo para contar uma história dos mundos natural e sobrenatural no coração de uma pequena comunidade no interior da Galiza (filmado numa aldeia da Serra de O Courel, Lugo). Em 2018, o filme foi nomeado para os prémios Goya em nove categorias diferentes, já depois da estreia mundial no Festival de Cinema de Berlim.

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QUI. 21.OUT / 21H00 / IPDJ · SESSÃO SEMANAL CCV

Nación
de Margarita Ledo, 2020. 92'


O filme centra-se num grupo de ex-trabalhadoras da fábrica galega Pontesa, que laborou entre 1961 e 2001, e tem a precariedade e a procura de auto-estima a pesarem nos pratos da balança de uma narrativa vigorosa e plena de ressonâncias, retrato feminino, geracional e colectivo, a propósito do qual escreveu o Público.es: Poucos filmes recentes são ao mesmo tempo tão exigentes e oportunos como este ensaio poético presidido por uma amálgama de materiais, contando com recursos do documentário e da ficção.

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Ramiro Ledo
Lugo, 1981. Fundador e director da Atalante, distribuidora de cinema criada em 2021, é também gerente e programador, desde 2019, do cinema DUPLEX, projecto de exibição que impulsionou a recuperação de uma sala de dois ecrãs na cidade galega de Ferrol. Foi sócio-fundador da cooperativa NUMAX desde 2014, sediada em Santiago de Compostela. Entre os últimos filmes distribuídos por NUMAX e agora Atalante em Espanha estão A Portuguesa (Rita Azevedo Gomes), O Que Arde (Oliver Laxe), Longa Noite (Eloy Enciso), Vitalina Varela (Pedro Costa), Nación (Margarita Ledo Andión) ou A Metamorfose dos Pássaros (Catarina Vasconcelos). O seu trabalho como impulsionador de projectos cinematográficos foi reconhecido em 2020 com o prémio Entrepreneur of the Year para o empreendedor do ano, na Europa, pelo Europa Cinemas.